Juro alto reduz consumo, causa desemprego e onera União

4 de abril de 2014

jurosA presidente Dilma Rousseff poderia, no início de seu mandato, ter reduzido o número de ministérios e cortados gastos inúteis, mas não o fez. Diante disso, agora, é levada a optar pela fórmula de combate à inflação que causa maior sofrimento: a alta de juros. A taxa básica já está em 11% e poderá subir ainda mais. Se há um lado positivo na questão, é saber que a presidente não quer passar o cargo ao sucessor com contas em desalinho, como inflação descontrolada e problemas por tudo que é lado. Os aspectos negativos são muitos, a começar por desaquecimento da economia e desemprego.

De forma didática, o consultor financeiro Reinaldo Domingos declarou, sobre a subida da taxa Selic: Esses números são assustadores para quem está endividado ou precisará fazer empréstimos ou parcelamentos . Pois o maior endividado do país é justamente a União. Não só a dívida é altíssima, como o esforço para se pagar juros terá de ser maior, com as taxas subindo. Talvez parte do público não saiba que o governo sequer consegue pagar os juros devidos, todo ano e é obrigado a rolar parte desse ônus. Isso, obviamente, irá se acentuar. A dívida interna é de R$ 1,97 trilhão.

As produtoras de veículos já começam a anunciar feirões para venda de unidades e não será surpresa se alguns projetos de novas fábricas forem abortados. Mesmo com farto parcelamento, os juros altos afetam a comercialização de carros uma das principais molas da indústria em geral, com efeito direto em autopeças. Com propriedade, salientou Roque Pellizzaro Júnior, presidente da Confederação Nacional dos Diretores Lojistas: O aumento de juros é um mecanismo que deve ser acionado somente em último caso, porque esfria a economia, restringe o crédito e piora a situação das famílias. O governo precisa é reduzir seus gastos .

É estranho que Dilma Rousseff use dois pesos e duas medidas. Em juros, acionou uma política ortodoxa, de onerar o custo do dinheiro. Já quanto a tarifas de energia e preços de combustíveis, adota subterfúgios. Reduziu as tarifas de energia, dessarrumou o orçamento da Eletrobras e das empresas privados do setor e só deverá dar aumentos de tarifa em 2015. Em combustíveis, aprovou falso aumento, ao reduzir a zero o imposto do setor a Cide o que, por tabela, cortou investimentos regionais em transportes; e ainda levou a Petrobras, empresa com enorme carga de investimentos, a ampliar seu endividamento.

Beneficiários

Desculpem a repetição, mas quando o governo de Fernando Henrique aumentou os juros, Aloízio Mercadante, em nome do PT, disse: Isso é bom para os bancos e ruim para o padeiro, o marceneiro e o sapateiro . A frase é correta, mas os beneficiários não são apenas os bancos. Fundos de pensão, que, no curto período de juros baixos andaram falando fino, agora voltam a mostrar sua eficiência nas aplicações.

E os bilionários estrangeiros também foram contemplados, pois aplicam o dinheiro por algum tempo, no país, depois levam o bolo de volta, acrescido dos altos juros e sem riscos, por investirem em papéis garantidos pelo governo brasileiro, que tem grau de investimento das agências internacionais de rating. Segundo o Banco Central, este ano devem entrar no país US$ 5 bilhões para a Bovespa e o dobro para aplicação em títulos federais.

Com juros altos, aumenta a ânsia do governo para tirar dinheiro de hospitais, creches e estradas para pagar juros. Cofins quer dizer Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, mas boa parte de sua arrecadação se destina apenas a cobrir o rombo dos juros. Com isso, as notícias sobre déficit do INSS ficam distorcidas.

Fonte: Monitor Mercantil Digital