Está na hora de comprar um carro?

7 de abril de 2015

Veja quais perguntas fazer a si mesmo antes de considerar comprar um carro – e como agir caso decida adquirir o veículo

Comprar um carro é o terceiro maior sonho de consumo dos brasileiros, atrás somente de viagens internacionais e nacionais, segundo pesquisa do SPC Brasil e do Portal Meu Bolso Feliz. Poucos, no entanto, se planejam da melhor maneira para alcançar esse objetivo. De acordo com outra pesquisa do SPC Brasil, entre aqueles que atualmente têm um financiamento, 35 por cento o fizeram com o intuito de comprar um carro. “O cenário ideal para a compra de um veículo é pagá-lo à vista, sem arcar com juros e por um valor mais baixo do que se fosse parcelar”, ensina o educador financeiro do Portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli.

Com o IPI de volta a sua alíquota original, taxas de juros altas e inflação lá em cima, comprar um carro hoje é bom negócio apenas para quem não precisa recorrer ao financiamento para adquirir o veículo. “As montadoras estão oferecendo muitos benefícios na hora da compra de um automóvel novo, como carro completo pelo valor de um modelo mais simples e até a venda do veículo com o IPVA do ano pago. Por isso, financeiramente, para quem pode pagar à vista, é um ótimo o momento para comprar um carro com bons descontos”, explica Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. É o seu caso? Veja abaixo quais perguntas fazer a si mesmo antes de pensar em comprar de carro e a melhor forma de se planejar, caso decida adquirir um automóvel.

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O MOMENTO ECONÔMICO DO PAÍS PARA COMPRAR UM CARRO

No cenário econômico atual do Brasil, é preciso considerar alguns pontos importantes antes de começar a sonhar em comprar um carro, ou mesmo trocar o seu por um mais novo.

Redução do IPI
Desde o primeiro dia de 2015, a alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) voltou ao seu valor original. Para carros populares, com motor 1.0, a alíquota passou de 3 por cento para 7 por cento. Para automóveis com potência superior, o imposto foi de 9 por cento para 11 por cento no caso de carros flex, e de 9 por cento para 13 por cento para modelos movidos a gasolina. Ou seja, comprar um carro ficou ainda mais caro.

Aumento da taxa de juros
Segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa de juros para financiamento de automóveis foi, em fevereiro desde ano, a mais alta desde janeiro de 2012. Isso porque, considerando o aumento da inflação e o baixo crescimento econômico do país, as instituições financeiras aumentam suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência. Tanto os juros estão mais altos que, em dez anos, praticamente dobrou o tempo médio de financiamento de veículos no país, indo de 24 meses em 2005 para cerca de 40 meses em 2015.

Crédito restrito
Pelos mesmos motivos que as instituições financeiras aumentaram suas taxas de juros, o acesso ao crédito ficou mais restrito. Aumento da inflação e o baixo crescimento econômico do país costumam resultar em maior número de inadimplência, o que leva a uma maior restrição ao crédito. Na prática, isso significa que, antes de oferecer crédito, os financiadores exigirão ainda mais garantias ou maior entrada no momento da contratação.

Propaganda
Nesta realidade econômica, o cenário não está nada favorável para a venda de carros. Resultado? Promoções “imperdíveis”. Taxas de juros zero, carro completo pelo valor de um modelo mais simples, IPVA do ano pago… São tantos os benefícios que comprar um carro sem ter condições financeiras para fazê-lo pode até parecer um bom negócio. “As chamadas taxas de juros zero, por exemplo, vêm embutidas no valor do carro”, alerta Vignoli. Por isso, muita atenção e cuidado antes de se render aos encantos das propagandas das montadoras!

O que tudo isso significa?

A conclusão é que a situação econômica atual, para comprar um carro, favorece apenas quem possui uma reserva financeira e pode adquirir um veículo à vista – e sem esvaziar a poupança, ou seja, mantendo algum valor para imprevistos. “A economia está muito instável e, até por isso, menos carros estão sendo vendidos. Sabemos que o dólar pode aumentar ainda mais e que essa alta vai impactar na inflação, o combustível está mais caro, as taxas de juros… Estamos enfrentando um momento de muitas incertezas, que pode ser prolongado. Por isso, economicamente falando, não vale a pena se comprometer com uma dívida a longo prazo, por mais tentadoras que sejam as ofertas de automóveis”, finaliza Marcela.

AINDA QUERO COMPRAR OU TROCAR DE CARRO

Caso, após considerar nosso cenário econômico atual, você ainda deseje comprar um carro – ou trocar o seu atual -, veja cinco perguntas que deve fazer a si mesmo, antes de seguir com o plano

1 – Eu realmente preciso comprar um carro?
“Eu moro perto de uma estação de metrô e trabalho próximo a outra. Quando tinha um carro, praticamente não dirigia durante a semana. Decidi então vender o carro. Foi a melhor decisão que já tomei. Hoje alterno meu modo de locomoção entre metrô, taxi e boas caminhadas, que ainda funcionam em favor da minha saúde. O que gasto por mês, hoje, não pagaria nem a gasolina do meu antigo carro”, conta a professora Marylene Saggese, de São Paulo. Claro, não é para todos que a vida sem carro fica mais fácil. O ponto aqui é, mais do que o status de se ter um carro, o que deve ser levado em conta é a necessidade do veículo. “A não ser que você tenha uma profissão diretamente ligada ao carro, como os taxistas, por exemplo, um automóvel não é investimento, mas um bem como outro qualquer. Com a diferença que desvaloriza rapidamente e ainda gera despesas”, explica Vignoli. Resumindo: reflita sobre os motivos que o levam a querer um carro – e se eles valem você se endividar por eles.

2 – Tenho condições financeiras para comprar um carro?
Para responder a essa pergunta você deve, claro, olhar para a sua conta bancária. Você possui dívidas, está com as finanças equilibradas ou tem uma reserva financeira?

– Endividado: antes de sequer considerar a possibilidade de comprar um carro, saia das dívidas. Só após fazer isso conseguirá se organizar para começar a poupar e aí então analisar suas opções para adquirir um automóvel.

– Finanças equilibradas: não entre na furada de, por não possuir dívidas, achar que pode comprar ou trocar de carro. Sem reservas financeiras para dar uma boa entrada ou pagar à vista pelo veículo você terá que financiar a aquisição, ou seja, passará a ter uma dívida. Assim, se chegar à conclusão de que realmente precisa comprar ou trocar de carro, primeiro se organize para economizar mensalmente pensando neste objetivo. Preferencialmente, pague à vista. Sendo esta uma opção inviável, avalie se pode arcar todo mês com as parcelas do financiamento mais o custo mensal de um carro (IPVA, combustível, estacionamento, seguro, manutenção, etc.).

– Reserva financeira: para quem já possui uma quantia investida e sente a necessidade de comprar ou trocar de carro, podendo pagar à vista, a decisão fica mais fácil. Se não tiver o valor total, no entanto, prefira esperar um pouco mais até juntar todo o montante, sem comprometer grande parte das suas reservas.

3 – Que tipo de carro eu devo comprar?

Um fator importante é você analisar quais as reais necessidades suas ou de sua família na hora de escolher o modelo. Hoje, com o mercado em baixa, também existem ótimas oportunidades no mercado de seminovos e usados. Pense antes nas suas necessidades e não em impressionar a família, o vizinho ou os colegas de trabalho, afinal, quem está pagando é você. “Antes da escolha verifique os preços do seguro, das revisões e também das peças de reposição. Os taxistas são uma boa fonte de informação, além das publicações especializadas”, aconselha Vignoli.

4 – Por que devo tentar pagar à vista?
Quando você decide esperar para comprar um carro e opta por investir seu dinheiro até juntar o valor total do automóvel, você, além de conseguir um desconto na hora da compra, faz com que os juros trabalhem a seu favor – e não contra, como no caso de um financiamento. Isso porque, aplicando seu dinheiro, após alguns anos essa quantia renderá e você terá mais dinheiro para comprar ou trocar de carro.
Agora, se opta por um financiamento, aí terá juros trabalhando contra as suas finanças, no sentido de que terá que pagar um pouco a mais todo mês. Além disso, considere que um automóvel não é um investimento, ao contrário, ele acarreta mais gastos ao seu dia a dia. “A maioria das pessoas só pensa no valor do carro e no valor das parcelas do financiamento, esquecendo que deverão também arcar mensalmente com as chamadas despesas de manutenção, como IPVA, seguros, licenciamento, gasolina e até mesmo multas ou imprevistos como batidas”, alerta Vignoli.

5 – Decidi financiar. E agora?
A primeira atitude é procurar dar uma boa entrada, reduzindo bastante o número e o valor das parcelas. “O preço à vista é sempre o mais baixo, mas em caso de parcelamento, é preciso pesquisar muito, ficar atento à taxa de juros e calcular o custo total do financiamento e não o valor de cada parcela. Pesquisando as diferenças de custo entre outros bancos, por exemplo, o consumidor pode economizar até R$ 4 mil do valor total do financiamento de um carro novo”, orienta Marcela Kawauti. “Lembrando que o momento econômico em que o Brasil se encontra pede uma educação financeira preventiva. Ou seja, se você não tem dinheiro reservado, comece a guardar e, mais do que isso, evite entrar em dívidas muito Vamos te ajudar a entender e orientar para uma vida financeira sem desperdícios.

O MOMENTO ECONÔMICO DO PAÍS PARA COMPRAR UM CARRO

No cenário econômico atual do Brasil, é preciso considerar alguns pontos importantes antes de começar a sonhar em comprar um carro, ou mesmo trocar o seu por um mais novo.

Redução do IPI
Desde o primeiro dia de 2015, a alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) voltou ao seu valor original. Para carros populares, com motor 1.0, a alíquota passou de 3 por cento para 7 por cento. Para automóveis com potência superior, o imposto foi de 9 por cento para 11 por cento no caso de carros flex, e de 9 por cento para 13 por cento para modelos movidos a gasolina. Ou seja, comprar um carro ficou ainda mais caro.

Aumento da taxa de juros
Segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa de juros para financiamento de automóveis foi, em fevereiro desde ano, a mais alta desde janeiro de 2012. Isso porque, considerando o aumento da inflação e o baixo crescimento econômico do país, as instituições financeiras aumentam suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência. Tanto os juros estão mais altos que, em dez anos, praticamente dobrou o tempo médio de financiamento de veículos no país, indo de 24 meses em 2005 para cerca de 40 meses em 2015.

Crédito restrito
Pelos mesmos motivos que as instituições financeiras aumentaram suas taxas de juros, o acesso ao crédito ficou mais restrito. Aumento da inflação e o baixo crescimento econômico do país costumam resultar em maior número de inadimplência, o que leva a uma maior restrição ao crédito. Na prática, isso significa que, antes de oferecer crédito, os financiadores exigirão ainda mais garantias ou maior entrada no momento da contratação.

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Nesta realidade econômica, o cenário não está nada favorável para a venda de carros. Resultado? Promoções “imperdíveis”. Taxas de juros zero, carro completo pelo valor de um modelo mais simples, IPVA do ano pago… São tantos os benefícios que comprar um carro sem ter condições financeiras para fazê-lo pode até parecer um bom negócio. “As chamadas taxas de juros zero, por exemplo, vêm embutidas no valor do carro”, alerta Vignoli. Por isso, muita atenção e cuidado antes de se render aos encantos das propagandas das montadoras!

O que tudo isso significa?

A conclusão é que a situação econômica atual, para comprar um carro, favorece apenas quem possui uma reserva financeira e pode adquirir um veículo à vista – e sem esvaziar a poupança, ou seja, mantendo algum valor para imprevistos. “A economia está muito instável e, até por isso, menos carros estão sendo vendidos. Sabemos que o dólar pode aumentar ainda mais e que essa alta vai impactar na inflação, o combustível está mais caro, as taxas de juros… Estamos enfrentando um momento de muitas incertezas, que pode ser prolongado. Por isso, economicamente falando, não vale a pena se comprometer com uma dívida a longo prazo, por mais tentadoras que sejam as ofertas de automóveis”, finaliza Marcela.

AINDA QUERO COMPRAR OU TROCAR DE CARRO

Caso, após considerar nosso cenário econômico atual, você ainda deseje comprar um carro – ou trocar o seu atual -, veja cinco perguntas que deve fazer a si mesmo, antes de seguir com o plano

1 – Eu realmente preciso comprar um carro?
“Eu moro perto de uma estação de metrô e trabalho próximo a outra. Quando tinha um carro, praticamente não dirigia durante a semana. Decidi então vender o carro. Foi a melhor decisão que já tomei. Hoje alterno meu modo de locomoção entre metrô, taxi e boas caminhadas, que ainda funcionam em favor da minha saúde. O que gasto por mês, hoje, não pagaria nem a gasolina do meu antigo carro”, conta a professora Marylene Saggese, de São Paulo. Claro, não é para todos que a vida sem carro fica mais fácil. O ponto aqui é, mais do que o status de se ter um carro, o que deve ser levado em conta é a necessidade do veículo. “A não ser que você tenha uma profissão diretamente ligada ao carro, como os taxistas, por exemplo, um automóvel não é investimento, mas um bem como outro qualquer. Com a diferença que desvaloriza rapidamente e ainda gera despesas”, explica Vignoli. Resumindo: reflita sobre os motivos que o levam a querer um carro – e se eles valem você se endividar por eles.

2 – Tenho condições financeiras para comprar um carro?
Para responder a essa pergunta você deve, claro, olhar para a sua conta bancária. Você possui dívidas, está com as finanças equilibradas ou tem uma reserva financeira?

– Endividado: antes de sequer considerar a possibilidade de comprar um carro, saia das dívidas. Só após fazer isso conseguirá se organizar para começar a poupar e aí então analisar suas opções para adquirir um automóvel.

– Finanças equilibradas: não entre na furada de, por não possuir dívidas, achar que pode comprar ou trocar de carro. Sem reservas financeiras para dar uma boa entrada ou pagar à vista pelo veículo você terá que financiar a aquisição, ou seja, passará a ter uma dívida. Assim, se chegar à conclusão de que realmente precisa comprar ou trocar de carro, primeiro se organize para economizar mensalmente pensando neste objetivo. Preferencialmente, pague à vista. Sendo esta uma opção inviável, avalie se pode arcar todo mês com as parcelas do financiamento mais o custo mensal de um carro (IPVA, combustível, estacionamento, seguro, manutenção, etc.).

– Reserva financeira: para quem já possui uma quantia investida e sente a necessidade de comprar ou trocar de carro, podendo pagar à vista, a decisão fica mais fácil. Se não tiver o valor total, no entanto, prefira esperar um pouco mais até juntar todo o montante, sem comprometer grande parte das suas reservas.

3 – Que tipo de carro eu devo comprar?

Um fator importante é você analisar quais as reais necessidades suas ou de sua família na hora de escolher o modelo. Hoje, com o mercado em baixa, também existem ótimas oportunidades no mercado de seminovos e usados. Pense antes nas suas necessidades e não em impressionar a família, o vizinho ou os colegas de trabalho, afinal, quem está pagando é você. “Antes da escolha verifique os preços do seguro, das revisões e também das peças de reposição. Os taxistas são uma boa fonte de informação, além das publicações especializadas”, aconselha Vignoli.

4 – Por que devo tentar pagar à vista?
Quando você decide esperar para comprar um carro e opta por investir seu dinheiro até juntar o valor total do automóvel, você, além de conseguir um desconto na hora da compra, faz com que os juros trabalhem a seu favor – e não contra, como no caso de um financiamento. Isso porque, aplicando seu dinheiro, após alguns anos essa quantia renderá e você terá mais dinheiro para comprar ou trocar de carro.
Agora, se opta por um financiamento, aí terá juros trabalhando contra as suas finanças, no sentido de que terá que pagar um pouco a mais todo mês. Além disso, considere que um automóvel não é um investimento, ao contrário, ele acarreta mais gastos ao seu dia a dia. “A maioria das pessoas só pensa no valor do carro e no valor das parcelas do financiamento, esquecendo que deverão também arcar mensalmente com as chamadas despesas de manutenção, como IPVA, seguros, licenciamento, gasolina e até mesmo multas ou imprevistos como batidas”, alerta Vignoli.

5 – Decidi financiar. E agora?
A primeira atitude é procurar dar uma boa entrada, reduzindo bastante o número e o valor das parcelas. “O preço à vista é sempre o mais baixo, mas em caso de parcelamento, é preciso pesquisar muito, ficar atento à taxa de juros e calcular o custo total do financiamento e não o valor de cada parcela. Pesquisando as diferenças de custo entre outros bancos, por exemplo, o consumidor pode economizar até R$ 4 mil do valor total do financiamento de um carro novo”, orienta Marcela Kawauti. “Lembrando que o momento econômico em que o Brasil se encontra pede uma educação financeira preventiva. Ou seja, se você não tem dinheiro reservado, comece a guardar e, mais do que isso, evite entrar em dívidas muito longas”, lembra a economista.

Fonte: Meu bolso Feliz